Situada à margem direita do rio Douro. Canelas dista 14km da sede de conselho. Está nos antigos topónimos Vila Vilarinho, Vila Pouca e Vilar a génese da atual denominação da freguesia. Assim, fundiu-se o nome do lugar principal, Canas com elas (as vilas), e resultou Canelas.

É povoação de origem muito remota, anterior à nacionalidade, talvez da época castreja. Por aqui passa a via latina que vai até ao monte Mosinho.

No lugar de Canas, onde brotava um bolhão de águas férreas e sulfurosas frias, que nascia no lameiro ou campo das Caldas, quando alguém procurava terra alagadiça em profundos caboucos, encontrou-se casulamente os alinhamentos das paredes de um balneário romano. Mas tarde, ao proceder-se a uma terraplanagem, começou por aparecer um espólio de uma importante necrópole. Feito o exame aos materiais aparecidos, cacos na sua maioria, concluiu-se tratar-se de uma necrópole pagã-cristã do século III e IV. Foi encontrada também alguma preciosa cerâmica gaulesa ou mesmo arretina.

Canelas esteve em tempos, como foi costume na região, dividida em quintas. De todos, cada qual com a sua importância bem vinculada, uma, pelas tradições que a envolvem, merece atenção especial: a Quinta de Ufe.

Na casa da quinta, ressaltaram o altar interior e os moinhos de água, considerados de construção anterior à fundação de Portugal.

Conta-se que teve nas suas origens a casa e quinta uma D. Ufa Ufes, filha do D. Ufo Ufes, governador de Viseu, a qual casou com D. Arnaldo, filho de Guilherme I da Baviera. Nos finais dos século X, D. Arnaldo veio oferecer os seus serviços a Bermudo II de Leão para ajudar a expulsar os mouros, estabelecendo-se  em Baião depois de ter sido libertado aquele território de jugo sarraceno.

De D. Arnaldo e D. Ufa nasceram D. Guido Arnaldes de Baião e D. Gosende, fundador da honra de Gosende. Este foi pai de Egas Gosende, pai de Emílio Viegas, pai de Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques. Sabe-se que Egas Moniz e o seu irmão Mem Moniz possuiram haveres de certo vulto na paróquia de Canelas, decerto no lugar de Ufe, até porque aqui teve bens o mosteiro de Paço de Sousa, fundado pelo seu avô. Todos os descendentes foram devotos e protetores do Mosteiro, muito especialmente Egas Moniz, que ali viria a ser sepultado. 

Desde a família há-de vir também o clássico Fransisco Sá Miranda.

A freguesia de Canelas teve um porto, com uma barca que pagava ao fisco, cada vez que sulcasse o Douro carregada de vinho, um almude dele.

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